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sábado, 21 de abril de 2012

Romance Moderno

Se conheceram on line, tão comum e corriqueiro que nem causa mais espanto. Conversaram, combinaram e para o  msn migraram. Logo mais se encontraram. Não demorou muito se beijaram, se amaram. Na cama terminaram. E lá se fartaram, o desejo saciaram.

Mas depois de tudo, porém, palavras faltaram para dizer o que realmente pensavam sobre o sentiam na alma. Se era amor ou apenas paixão, nunca sequer cogitaram, definir o quanto se gostavam.

Então, um dia se afastaram. Tão rápido quanto se uniram, se desligaram. E foram para opostos lados, cada qual guardando consigo o que nunca falaram.

terça-feira, 8 de março de 2011

Só

E veio de novo... num repente... Aquela sensação de perda, um buraco. Ele pensou no que poderia ter feito de tão ruim, pois todos os aqueles com quem havia um dia se importado, um dia  amado, simplesmente sumiam na neblina.

E então entendeu que seu destino, por mais triste, talvez fosse ser sozinho. Mas naquele momento, não tinha forças, sequer para erguer a cabeça e encaram a vida que se descortinava a sua frente. Sentiu-se sem vontade de seguir adiante, pois havia tido um breve vislumbre do futuro, e esse futuro não era bom. Ela não estava ao seu lado.

Por mais que soubesse que o mundo continuaria, não se sentia capaz de acompanhá-lo, não sem ela. Não de novo, mesmo depois de tanto tempo. Não quando ainda, ao ouvir aquela música, a mesma que os embalara por tantas noites, aquela que ela lhe havia apresentado e sussurrado em seu ouvido, ainda lhe arrancava lágrima traiçoeiras. Então toda força se foi, não tinha mais nada... Por que não pediu que ficasse, que não o abandonasse? Por que não confessou que a amava? Por que havia deixado-a partir, se sabia que não poderia viver sem ela?

Nada disso importava mais. Está era sua última noite sozinho... Sucumbira...

domingo, 7 de novembro de 2010

O ENCONTRO


Acendeu um cigarro. Encostou-se no muro, escondida pelas sombras para que ninguém a visse. E ali, protegida dos olhares curiosos, pôs-se a pensar... Há tempos recusava a encarar a terrível verdade: depois de mais de quatro anos ainda encontrava-se total, e irremediavelmente, apaixonada por ele. Triste constatação a se fazer depois de tanto tempo.

O encontro era inevitável. Não havia como se esconder, a não ser que fugisse as pressas para a Sibéria, mas não se sentia tão disposta assim a enfrentar o frio siberiano. A grande e incontestável verdade é que ela queria. Sim, ela queria.

É claro que jamais admitiria tal insanidade, afinal, quem quer ficar cara a cara com o amor perdido? Mas essa era a razão dos tremores que estremeciam seu corpo de baixo para cima. Ela queria vê-lo, queria estar no mesmo ambiente que ele, respirar o mesmo ar. Queria a chance de tocar, nem que fosse brevemente, sua mão e, no intervalo de poucos segundos, olhá-lo nos olhos, a dizer: ti espero, sempre.

Apagou o cigarro na sola do tênis. Ergueu a cabeça, jogou os cabelos para trás. Inspirou com dificuldade. Se faria mesmo isso, que fosse com o mínimo de dignidade.

sábado, 9 de outubro de 2010

SERENATA


Dobrou a esquina e seguiu direto ao seu destino antes que a coragem o abandonasse. Há dias vinha ensaiando e não podia esmorecer agora. No fim da rua, dois rapazes com olhos miúdos de sono. Já era tarde.


Olhou para a Lua, procurando pela inspiração quase perdida. Qual não foi sua surpresa, ao descobrir que esta se escondeu atrás das nuvens. Se nem a mãe dos amantes estava por ele, como prosseguir?


Quando deu por si, já estava a porta dela. Violão em punho. Coração aos pulos. Suspirou. Deu meia volta e fugiu.


Na janela, um par de olhos afugentava uma lágrima.


Texto escrito na avaliação de Comunicação e Expressão

sábado, 22 de maio de 2010

Vácuo


Cai no buraco escuro de seu silêncio e me perguntei: por que ainda insisto nas perguntas, se já sei de cor todas as respostas? As palavras contidas, os desejos reprimidos, reprimíveis. Escapando pelas frestas da boca que cala, que não ousa.


Tudo acaba nesse vazio que nós mesmos criamos. O silêncio é a única coisa que tem para me oferecer, mas não é, nem de longe, o que eu quero, muito menos o que preciso.
"Pior que uma voz que cala - é um silêncio que fala"
(Desconhecido)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

QUERO...


Quero a recordação de cada minuto.
Quero perder fôlego
Já não me interessa o quanto já respirei.
Quero o prazer de acordar
E me esticar ainda na cama.
Quero beijar quando me der vontade
Amar se for de verdade.
Quero intensidade,
Intranqüilidade.
Quero desejo ardente
Por incontáveis dias.
Me ver em você,
Mesmo que não se veja em mim.
Gisele Gutierrez